sábado, 3 de março de 2007

Resumo de episódios d' Os Lusíadas (adaptação de João de Barros)

INÍCIO DA NARRAÇÃO E CONSÍLIO DOS DEUSES

Iam os barcos já na costa de Moçambique, rápidos, entre a branca espuma das ondas.
A Índia estava longe, mas o caminho para alcançá-la era aquele e decerto lá chegariam, se o vento e o mar lhes fossem favoráveis e, sobretudo, se a coragem não os abandonasse.
Ai deles, porém!
Sempre que um povo tenta desvendar e conhecer paragens até então desconhecidas, parece que as forças da natureza ou a inveja dos outros homens tudo fazem para os não deixar vencer...
Assim, os deuses ou forças, que vivem nas coisas e nas almas, discutiam se sim ou não os deviam deixar triunfar.
Júpiter, Vénus, Baco, Marte, Apolo e Neptuno juntaram-se todos para resolver se dariam ou não auxílio aos portugueses.
Bastava que Júpiter desencadeasse um grande temporal sobre as frágeis embarcações para que um naufrágio as engolisse. Vénus e Marte, que eram amigos dos portugueses, não queriam. Mas Baco, que tivera outrora poder na Índia e receava que os portugueses lho tirassem, preparava-se para os inquietar...
No Olimpo, grande discussão houve entre os deuses a propósito dos nossos portugueses e da melhor decisão a tomar sobre o destino das suas naus...

INÊS DE CASTRO

Aconteceu um caso triste, mas que mostra quanto é sincero e terno o coração dos portugueses...
D. Afonso IV tinha um filho, D. Pedro, que gostava muito de uma dama da rainha, chamada D. Inês de Castro; mas o príncipe não podia casar com uma senhora qualquer, mas só com uma princesa de sangue real. Por isso, D. Afonso afligia-se ao ver o filho tão preso dos encantos de D. Inês e não querendo casar-se com nenhuma princesa verdadeira.
O Rei aconselha-se com os seus ministros e resolveram tirar a vida à pobre D. Inês, cujo o único pecado e crime era amar o seu príncipe.
Vão buscá-la a Coimbra e trazem-na arrastada à presença do Rei.
Apertando muito ao peito os filhinhos que tinha de D. Pedro, Inês chora, pede e suplica piedade, não para ela, mas para os filhos que, ficando órfãos, tudo perderiam.
Ainda se comove o rei, mas não se comovem os conselheiros. Arrancam das espadas de aço fino e trespassam o seio da formosa Inês.
Assim que ela morreu, chorou-a todo o povo, tão nova e bonita era a apaixonada de D. Pedro. Este não se esqueceu nunca da sua amada. Assim que subiu ao trono, coroou-a rainha como se viva fosse, entre festejos e pompas solenes. E castigou com severidade os ministros responsáveis pela morte da sua amada. Mas nem só a eles castigou. Enquanto reinou nunca perdoou nenhum crime, e não consentiu já mais que um homem mau vivesse tranquilo e impune.
Foi justo e, por vezes, cruel. Mas, austero e bravo, soube defender o seu reino das cobiças alheias.


BATALHA DE ALJUBARROTA

Soa a trombeta castelhana, dando o sinal de batalha. Som horrendo que parece correr do norte ao sul de Portugal. As mães aflitas apertam os filhinhos ao peito, e rostos há que mudam de cor.
Trava-se a luta entre Espanhóis e Portugueses, com fúria imensa de parte a parte. Numerosíssimos, os inimigos crescem sobre a gente de Nuno Álvares Pereira e entre eles estão os próprios irmãos do futuro Condestável.
D. João grita aos seus soldados que defendam a sua terra ameaçada, pois a liberdade da Pátria dependia da coragem destes. D. João, vendo em risco os soldados portugueses, precipita-se em auxílio da hoste já cercada. Todos os seus soldados o acompanham e, sem medo de perder a vida, atiram-se para o meio dos inimigos.
O rei castelhano e os seus milhares de soldados lutam desesperada e raivosamente, mas, apesar de serem mais do que os nossos, não resistem à coragem lusitana.
São vencidos os castelhanos que fogem dos campos de Aljubarrota.


DESPEDIDAS DE BELÉM

No porto de Lisboa, onde o Tejo mistura as suas águas com a água salgada do mar, estão as naus prontas a sair.
Ninguém receia a viagem aventurosa. Ninguém vacila em seguir Vasco da Gama por toda a parte.
Na praia, guerreiros e marujos passeiam os seus fatos novos. Os ventos sossegados fazem ondular os estandartes nas fortes e belas naus que prometem tornar-se um dia estrelas brilhantes no céu da glória...
Estão as naus aparelhadas e os navegadores prontos para todas as traições e lutas do mar. Pediram a Deus, antes de partir, a protecção e ajuda, favor celeste que os guiasse. Por fim, saíram da Capela de Santa Maria para bordo. A gente da cidade acompanhou-os, em grande multidão, chorando e gritando. Suspiravam os homens que ficavam. Todos receavam a perda dos nautas nos desconhecidos oceanos que iam navegar. Mães, esposas, irmãs imaginavam já não os tornar a ver.


ADAMASTOR

Cinco dias depois da aventura de Veloso, numa noite em que sopravam ventos prósperos, uma nuvem imensa, que os ares escurecia, apareceu de súbito sobre as cabeças dos marinheiros. Tão temerosa e carregada vinha que os seus valentes corações se encheram de pavor. O mar bramia ao longe, como se batesse nalgum distante rochedo. Tudo infundia pavor.
Erguendo a voz ao céu, Vasco da Gama suplicou piedade a Deus. Mal acabava de rezar, um figura surgiu no ar, robusta, fortíssima, gigantesca, de rosto pálido e zangado, de barba suja, de olhos encovados e numa atitude feroz. Num tom de voz grosso, começou a falar-lhes.
Arrepiaram-se todos, só de ouvir e ver tão monstruosa criatura. Disse então o gigante, voltando-se para eles:
- Ó gente ousada, já que vindes devassar os meus segredos escondidos, que nenhum humano deveria conhecer, ouvi agora os danos que prevejo para vós, para a vossa raça, que subjugará, no entanto, ainda todo o largo mar e toda a imensa terra. Ficai sabendo que todas as naus que fizerem esta viagem encontrarão as maiores dificuldades nestes meus domínios. Punirei a primeira armada que vier aqui depois da vossa e os seus tripulantes mal sentirão talvez o perigo de me defrontarem. Hei-de também vingar-me de quem primeiro me descobriu, Bartolomeu Dias, fazendo-o naufragar aqui mesmo e outras vinganças imprevistas executarei...
Era tão assustador o que ele dizia, que Gama o interrompeu e lhe perguntou quem ele era e por que estava assim tão zangado.
Ele respondeu:
- Eu sou aquele cabo a que chamam Tormentório, andei na luta contra o meu deus, Júpiter, fiz-me capitão do mar e conquistei as ondas do oceano. Apaixonei-me então por Tétis, princesa do mar filha de Neptuno. Mas como eu sou tão feio, ela nem me podia olhar... Determinei conquistá-la à força e mandei participar esta minha intenção. Esta fingiu aceitar o meu pedido de casamento... julguei certa noite vê-la e supus que vinha visitar-me e combinar as nossas bodas. Corri para ela como um doido e comecei a abraçá-la. Achei-me, no entanto, de repente abraçado a um duro monte, pois Tétis transformara-se em rocha feia e fria. Vendo um penedo a tocar a minha fronte, penedo me tornei também de desespero. Para redobrar as minhas mágoas, Tétis anda sempre me cercando, transformada em onda.
Assim contou a sua história o gigante Adamastor ... E logo a nuvem negra se desfez e o mar bramiu ao longe.
Gama de novo rezou a Deus, pedindo-lhe que os guardasse dos perigos que o Adamastor anunciara.


A TEMPESTADE E A CHEGADA À ÍNDIA

...Queria Veloso continuar a heróica narrativa, quando o mestre do navio pediu aos seus ouvintes e a ele que estivessem alerta...
Desencadeia-se a terrível tempestade. Rompe-se a vela grande da nau de Veloso, pois não houvera tempo de amainá-la. Alaga-se o navio todo com as ondas, que o envolvem espumando, e a água entra pelos porões. Os marinheiros correm a dar à bomba, para evitar o naufrágio, que parece certo.
O navio maior, em que navegava Paulo da Gama, leva o mastro quebrado.
Tão perto da Índia estavam os portugueses e tão impossível se lhes afigurava lá chegar, nessa hora de tragédia!
Vasco da Gama, entre o fulgor da procela, ergue a alma a Deus e, enquanto os marinheiros lutam contra a fúria do Oceano, a Deus suplica porto e salvamento.
Sossega o mar, cala-se o vento um pouco, graças à intervenção Vénus e das Nereidas junto dos Ventos.
As naus portuguesas retomam outra vez o seu rumo para a Índia. Baco fora vencido de novo e já não poderia contrariar os desígnios da gente lusitana.
A manhã clareava nos outeiros por onde passa o rio Ganges, quando da gávea alta os marinheiros enxergaram terra, pela proa das naus.
O piloto melindano exclama que a terra que se avista enfim é Calecut, cidade da Índia.

36 comentários:

Maia disse...

Maravilhoso resumo!
Ajudou muito nos meus estudos de Os Lusiadas agora no 9º ano.

diogguit & mariana disse...

etse resumo ajudou-me muito. obrigado.

CARLOS disse...

Obrigado.Ajudou-me muito a fazer um resumo para o 7ºano em estudo acompanhado.(cá para nós isto é batota não é?):P
Fica! :3

Mari disse...

Melhor não podia estar. Melhorei os meus estudos de Os Lusíadas graças a este resumo, muito obrigada! :)

Meo Comandante disse...

aEstes resumos estão realmente muito bons é uma ajudinha para o teste de português

Andr3 disse...

Muito bom mesmo . Deu uma ajuda ^^

(so dps de ler isto é que percebi os Deuses que o stor falava xD )

Báa disse...

ajudou-me imenso a perceber o que é q a professora falava nas aulas. ja sei um pouco mais. vou ter teste segunda e agora pelo menos ja sei intrepretaçao. :D
Obrigadaa!!

McFLY disse...

nossa muito bom me ajudou para o estudo do livro para o debate

Gabriela Maia disse...

Pô, legal...

ArtMix disse...

Muito bom, ajudou-me a compreender melhor alguns episodios dos lusiadas

joaodsg2 disse...

Grande resumo!!ajudou-me imenso!!só falta uma coisa, os Cantos e os Episodios assinalados para assim nos situarmos melhor na Obra!

EXPLORADORES disse...

muito bom ajudou-me imenso

Catarina Pereira, Rui Pedro e Francisco Medeiros disse...

Vamos lá ver se não vos cai os olhinhos

Claudia disse...

Muito Obrigada! Estes resumos estao optimos!

Claudia Camacho

hacker killer disse...

Este seu blog, apesar de ser principalmente para os seus alunos ajudou muito, obrigado.

Fala aqui um gajo que quer concluir o 9º ano e não estudou nada, estudei apenas Hoje no domingo anterior ao exame e que agora se está se a ver fdz para o fazer, não façam o mesmo que eu. Acreditem, não o façam.

Stéphane disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Stéphane disse...

Muito obrigda mesmo!! ajudoume imenso a tirar algumas duvidas que ainda tinha para o exame de amanha! Obrigada mesmo!!

ass: Carolina

Operário F.C.L disse...

ainda estou no 8º ano mas fiz um teste sobre a adaptação dos lusíadas mas no teste aparece uma pergunta:
os deuses chegaram facilmente a acordo?
refere a decisão final.

refere-se se se os deuses auxiliam os portugueses ou não

obgd.

Jorge Almeida disse...

Os deuses não chegaram facilmente a um acordo, pois houve uma violenta discussão, no entanto acabaram por decidir ajudar os portugueses.

ze disse...

adorei tudo e ajudou-me imenso nos estudos para o teste menos a parte de faltar os ultimos capitulos mas ta excelente 5 extrelas

Tiago Cruz disse...

Gostei vai me ajudar no teste de amanhã
ob

cesar disse...

OBRIGADO POR POSTAR ESTES RESUMOS MUITO BONS AQUI :)

cesar disse...

OBRIGADO POR POSTAR ESTES RESUMOS MUITO BONS AQUI :)

cesar disse...

OBRIGADO POR POSTAR ESTES RESUMOS MUITO BONS AQUI :)

cesar disse...

OBRIGADO POR POSTAR ESTES RESUMOS MUITO BONS AQUI :)

cesar disse...

Obrigado por fazerr estes resumos muito bons

cesar disse...

Obrigado por fazerr estes resumos muito bons

musculação blooger disse...

muito o bom mesmo
obrigada pelo resumo

Rodrigo disse...

Muito bom mesmo. Fiz mal em deixar isto para a última da hora pois amanha já tenho exame nacional de 9ºano e, sem este site, não me savava!! (mesmo assim tou desgraçado, não façam como eu xD)
Muito obrigado pelo resumo!!

Rodrigo disse...

Muito bom mesmo. Fiz mal em deixar isto para a última da hora pois amanha já tenho exame nacional de 9ºano e, sem este site, não me savava!! (mesmo assim tou desgraçado, não façam como eu xD)
Muito obrigado pelo resumo!!

esteves disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sofia Simão disse...

Amanhã tenho Exame Nacional de Português e estes resumos ajudaram-me imenso na compreensão de alguns episódios.
Muito Obrigada.

Sofia Simão disse...

Amanhã tenho Exame Nacional de Português e estes resumos ajudaram-me imenso na compreensão de alguns episódios.
Muito Obrigada.

xato98 disse...

Muito bom mesmo ... Vale a pena ler !

xato98 disse...

Muito bom mesmo ... Vale a pena Ler acreditem !!

Carolina disse...

Está excelente, bom trabalho!
Na minha o opinião podia ter o resumo de todo o livro, mas ele também não era destinado a mim, certo??
Tenho de ler a obra nestas férias da Páscoa e assim já tenho uma ideia do conto...
Ajudou-me muito, obrigada;-)
Continuem!