segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Regras de Acentuação

1) O acento agudo é o mais utilizado em português;

2) O acento grave só se utiliza nestas palavras:


à - resultado da contracção de a + a (exemplo: vou à praia);


àquilo - resultado da contracção a + aquilo;


àquele, àquela, àqueles, àquelas - igualmente resultado da contracção de a + aquele; a + aquela; a + aqueles; a + aquelas;

3) São acentuadas as palavras agudas terminadas em em ou ens com mais de uma sílaba:

- armazém,

- conténs;

e ainda as terminadas em a, e, o seguidas ou não de s:


jogará - jogarás,


café - cafés,


avó - avós;

as terminadas em u não são acentuadas:


peru não é acentuada;

4) São acentuadas as palavras graves terminadas em l, n, r, s, x:


agradável, abdómen, carácter, lápis, Félix;

as terminadas em i, is, us, um, uns:


táxi - táxis,


bónus,


vírus,


álbum, álbuns;

e ainda as terminadas em ei e eis:


jóquei, úteis, fáceis;

5) Todas as palavras esdrúxulas são acentuadas;

6) Não há palavras com dois acentos;

7) Há palavras acentuadas que têm sinal de nasalação:

caso de órgão e Estêvão, sendo o til o sinal de nasalação;

8) A sílaba tónica nas palavras agudas é a última sílaba, nas graves é a penúltima sílaba e nas esdrúxulas é a antepenúltima.

Regras de utilização do hífen

1. para separar as sílabas na translineação.

2. também se usa nos compostos em que entram, foneticamente distintos:

2.1. dois ou mais substantivos, ligados ou não por preposição ou outros elementos: alfinete-de-ama;

2.2. um substantivo e um adjectivo: amor-perfeito;

2.3. um adjectivo e um substantivo: primeiro-ministro;

2.4. dois adjectivos: azul-escuro;

2.5. uma forma verbal e um substantivo: conta-gotas;

2.6. duas formas verbais: ruge-ruge.

3. nos compostos do vocabulário onomástico (nomes próprios), reduz-se o uso do hífen a:

3.1. nomes em que dois elementos se ligam por uma forma de artigo: Trás-os-Montes;

3.2. nomes em que entram os elementos grão e grã: Grã-Bretanha, Grão-Pará;

3.3. nomes em que se combinam simetricamente formas onomásticas: médico-cirurgião.

4. os gentílicos (nomes que indicam procedência ou naturalidade) dos compostos onomásticos levam hífen: cabo-verdiano.

5. usa-se o hífen sempre que existir, à maneira de ligação, a preposição de nas formas monossilábicas do presente do indicativo do verbo haver: hei-de.

6. usa-se, igualmente, para ligar pronomes, séries de pronomes e contracções de pronomes aos verbos de que dependem, se forem incliticamente empregados: louvo-o.

Nas formas do futuro ou do condicional, havendo mesóclise (interposição de pronomes nos verbos): di-lo-ei, fá-lo-ei.

7.O hífen também é usado nos vocábulos formados com prefixos como se afirma na Convenção Ortográfica Luso-Brasileira, 1945: «Emprega-se o hífen em palavras formadas com prefixos de origem grega ou latina, ou com outros elementos análogos de origem grega (primitivamente adjectivos), quando convém não os aglutinar aos elementos imediatos, por motivo de clareza ou de expressividade gráfica, por ser preciso evitar má leitura, ou por tal ou tal prefixo ser acentuado graficamente.»
Assim, usa-se nos vocábulos em cuja formação entram os prefixos:
7.1. Além, aquém, pós, pré, recém - Por possuírem acento gráfico: além-mar; aquém-fronteiras, pós-guerra, pré-helénico;
recém-nascido;
7.2. Ante, entre, sobre - Antes de h: ante-histórico; entre-hostil; sobre-humano;
7.3. Anti, arqui, semi - Antes de h, i, r, s: anti-revolução, arqui-secular; semi-inconsciente;
7.4. Auto, contra, extra, infra, neo, proto, pseudo, supra, ultra - Antes de vogal, h, r, s: auto-retrato; contra-almirante, extra-hospital; infra-som; neo-realismo; proto-histórico; pseudo-herança; supra-renal; ultra-rápido;
7.5. Bem -Antes de vogal e h, quando na pronúncia se ouve o ditongo ei: bem-amado;
7.6. Pan, mal - Antes de vogal, h: pan-helénico; mal-humorados;
7.7. Circum - Antes de vogal, h, m, n: circum-navegação;
7.8. Co - Quando tem sentido de a par: co-autor;
7.9. Hiper, inter, super - antes de h, r: hiper-ridículo; inter-hospitalar; super-homem;
7.10. Ex - Quando tem o sentido de estado anterior ou casamento: ex-mulher;
7.11. Pró - Quando significa a favor de: pró-leitura;
7.12. Sem - Quando na sua pronúncia se ouve o ditongo ei: sem-cerimónia;
7.13. Sob, sub - Antes de b, h, r: sob-roda; sub-reino;
7.14. Sota, soto, vice, vizo - Quando o segundo elemento tem vida à parte: sota-almirante; soto-piloto; vice-primeiro-ministro; vizo-rei.»

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Despedidas em Belém

Este excerto d’Os Lusíadas narra-nos a partida dos marinheiros da praia do Restelo e a despedida dos seus familiares e amigos. Dividimo-lo em três partes:

a. Introdução [est. 84-86]: localizada a acção no espaço-tempo, observamos o alvoroço geral dos últimos preparativos para o embarque da “gente marítima e a de Marte” (marinheiros e soldados). Prontas as naus, os nautas reúnem-se em oração na ermida de Nossa Senhora de Belém.

b. Desenvolvimento [est. 87-92] Descreve-se a “procissão solene” do Gama e seus companheiros desde o “santo templo” (ermida) até aos batéis, pelo meio da “gente da cidade”, homens e mulheres, velhos e meninos, com relevo especial para as mães e as esposas. Tanto os que partiam como os que ficavam se entristeciam e a despedida assume grande emotividade. “Porque me deixas, mísera e mesquinha? Porque de mi te vas, ó filho caro,” [est. 90, vv. 5-6].

c. Conclusão [est. 93] Refere-se ao embarque que, por vontade do Gama, se fez sem as despedidas habituais para diminuir o sofrimento, tanto dos que partiam como dos que ficavam.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Grande orgulho!

A Ministra da Educação mostrou-se orgulhosa pelos resultados nos exames nacionais do Ensino básico em 2009, quando a Língua Portuguesa a taxa de INSUCESSO aumentou de 16 para 30% e a média desceu de 3,3 para 2,9!!!... Grandes resultados!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Fenómenos Fonéticos

sábado, 4 de julho de 2009

Auto da Barca do Inferno



domingo, 28 de junho de 2009

Conjunções e locuções conjuncionais

CONJUNÇÕES e LOCUÇÕES coordenativas e subordinativas
Coordenação_Subordinação

sábado, 13 de junho de 2009

A Palavra Mágica - Vergílio Ferreira

A palavra mágica

Resumo escrito por:Thisblackheart

Silvestre, um pacato viúvo sem filhos, vive numa vila onde todos usufruem da sua boa vontade. Um dia, envolve-se numa discussão com o Ramos da loja, que o trata de inócuo, palavra que ouvira num folhetim.

O rumor faz com que a palavra maldita se espalhe pela freguesia, conotada de sentidos pejorativos e pronunciada de maneiras diversas. Começa por significar vadio, passando a bêbedo na boca da mulher do Paulino. Mais tarde, quando um vigarista vendedor de drogas entra na aldeia, a palavra ganha o sentido de trampolineiro ou ladrão dos finos e, quando o Rainha mata o marido da amante, sendo catalogado com o mesmo termo, “inoque” já significa devasso e assassino.

Como uma bola de neve, a palavra transforma-se num insulto terrível, chegando ao Perdigão dos Cabritos e, meses depois, a um cabeleireiro que chegou à vila, adquirindo então novos significados como parricida, incendiário, pederasta ou escroque, sendo até utilizada para desabafos do género poça ou bolas.

Quando começaram a ser julgadas as primeiras queixas no tribunal da vila contra a injúria de “noque”, “inóque” ou “inóquo”, o juiz, apercebendo-se do verdadeiro significado da palavra, fica incrédulo perante a confusão gerada, pois inócuo significa “que não faz dano, inofensivo”. E foi assim que Bernardino, um dos primeiros queixosos, perdeu a causa.



A palavra mágica Originalmente publicado no Shvoong: http://pt.shvoong.com/books/short-story-novella/1805731-palavra-m%C3%A1gica/

A Palavra Mágica de Vergílio Ferreira




quarta-feira, 10 de junho de 2009

Assobiando à Vontade

Àquela hora o trânsito complicava-se. As lojas, os escritórios, algumas oficinas, atiravam para a rua centenas de pessoas. E as ruas, as praças, as paragens dos eléctricos, que tinham sido planeadas quando não havia nas lojas, nos escritórios e nas oficinas tanta gente, ficavam repletas dum momento para o outro. Nos largos passeios das grandes praças havia encontrões. As pessoas de aprumo tinham de fechar os olhos àquele desacato e não viam remédio senão receber e dar encontrões também e praguejar algumas vezes. Os eléctricos apinhavam-se na linha à frente uns dos outros. Seguiam morosa-mente, carregados até aos estribos e por fora dos estribos, atrás, no salva-vidas, com as tais centenas de pessoas que saltavam àquela hora apressadamente das lojas, dos escritórios, das oficinas. Além disso, nos dias bonitos como aquele, as ruas da Baixa enchiam-se de elegantes que iam dar a sua volta, às cinco horas, pelas lojas de novidades e pelas casas de chá, para matar o tempo de qualquer maneira, ver caras conhecidas, cumprimentar e ser cumprimentadas, e só voltavam a casa à hora de jantar.A multidão propunha uma confraternização à força. Era preciso pedir desculpa ao marçano que se acabava de pisar, implorar às pessoas penduradas no eléctrico que se apertas-sem um pouco mais para se poder arrumar um pé, nada mais que um pé, num cantinho do estribo, muitas vezes sorrir para gente que nunca se tinha visto antes e apetecia insultar. Os elegantes e as elegantes achavam naturalmente tudo isto muito aborrecido. Sobretudo a necessidade absoluta de seguir naquelas plataformas repletas em que não viajavam só cavalheiros, mas muitos homenzinhos pouco correctos e onde esses mesmos homenzinhos e mulheres vulgares deitavam um cheiro insuportável. Que fazer, no entanto, senão atirar-se uma pessoa também para aquele mar de gente que empurrava, furava, pisava e barafustava até chegar ao carro? Que fazer senão empurrar, furar, pisar e barafustar também?O carro seguia morosamente e repleto como os outros. Felizmente, ainda havia alguns homens correctos na cidade e algumas mulherezinhas que conheciam o seu lugar. Só graças a isso as senhoras que tinham arriscado os seus sapatos e os seus chapéus naquela refrega e alguns cavalheiros respeitáveis conseguiam sentar-se.Nos primeiros momentos de viagem, as pessoas voltavam-se nos bancos, preocupadas, tentando ver se o marido, uma amiga, um filho, não teriam ficado em terra. Os que seguiam de pé ousavam dar um passo no interior do carro, a ver se teria ficado algum lugar vago por acaso. Havia logo protestos na plataforma. Depois as pessoas acomodavam-se o melhor que podiam, punham os braços no ar para livrar os embrulhos do aperto, fechavam bem os casacos e as malas onde levavam o dinheiro, o condutor puxava energicamente o cordão da campainha muitas vezes, lotação completa, e o carro arrastava-se em silêncio.Os senhores respeitáveis, com compreensível e muda zanga dos companheiros do lado, começavam a desdobrar os jornais da tarde e a ler as notícias por alto. As senhoras, visivelmente mal dispostas, compunham os chapéus e as golas dos casacos. Tiravam os espelhinhos da mala e passavam tudo em revista: o chapéu, os cabelos, os olhos, os lábios. Era incrível. Uma tinha ficado com o chapéu completamente de banda, outra perdera uma luva na confusão. Depois guardavam os espelhos, acomodavam-se melhor, percorriam com os dedos os anéis duma mão e da outra, para ver se estavam no lugar, se estavam todos. Olhavam umas para as outras, muito sérias, como quem não repara em nada. Recuperavam pouco a pouco a dignidade que aquele despropósito da subida para o carro evaporara.Nas curvas, as rodas chiavam nas calhas, debaixo do grande peso. Silêncio enfim -embora de vez em quando cortado pela campainha, quando alguém tinha a triste ideia de querer descer, pelo desdobrar dos jornais, pela voz dos populares, encaixados na plataforma da frente.Tudo voltara à normalidade. A marcha do carro, a cobrança dos bilhetes, a separação entre as pessoas, que rigorosamente não conseguiam separar-se umas das outras um centímetro que fosse. E, assim, morosamente, por curvas e rectas, por ruas e praças, aquele carro cumpria o seu destino de acarretar gente e ser insultado, numa das várias linhas que ligavam o centro da cidade aos bairros relativamente novos, onde a separação entre a chamada classe média e as camadas mais baixas da população não fora ainda convenientemente estabelecida.Em dada altura, porém, na plataforma de trás levantou-se burburinho. Protestos. Indignação. Cabeças voltaram-se no interior do carro. E viu-se um homenzinho a empurrar toda a gente e a dizer que havia lugares à frente, que o deixassem passar. Em vão lhe asseguravam que não havia lugar nenhum, que não podia passar, que não fosse bruto. O homem empurrava e teimava que havia lugares à frente. Tanto empurrou que furou. Tanto furou que conseguiu entrar no interior do eléctrico, avançou e foi sentar-se num lugar de lado que estava efectivamente vago lá à frente, ao lado duma senhora por sinal opulenta.Foi um espanto geral e silencioso. Ninguém tinha reparado no lugar. E menos que ninguém, como é fácil de compreender, a própria senhora opulenta. Todos os atrevidos têm sorte.O homem, que usava um chapéu coçado e um sobretudo castanho bastante lustroso nas bandas, não se sentou propriamente. Enterrou-se no lugar, com as mãos enfiadas pelas algibeiras dentro. Que sujeito! Devia ser mais novo do que parecia por causa do cabelo grisalho e da barba por fazer. A senhora opulenta franziu a testa e remexeu-se no lugar, se assim se pode dizer, como quem procura ocupar menos espaço. Na verdade, apenas se instalou melhor. A sua intenção era fazer o homenzinho reparar na inconveniência da atitude que tomara. Mas ele não viu nada disso ou fingiu que não viu. Olhou vagamente as pessoas que tinha na frente, estendeu os lábios e começou a assobiar. A assobiar muito à vontade no interior do carro!Primeiro, foi um assobio baixinho, pouco seguro, imperceptível quase. Depois, a pouco e pouco, o sujeitinho entusiasmou-se. E o assobio aumentou de intensidade. Ouvia-se já em todo o eléctrico. Os passageiros, que tinham recuperado com tanto custo a sua dignidade, fingiam que não davam pelo homem nem pelo assobio. E sossegaram quando o condutor se dirigiu ao recém-vindo. Ia aconselhá-lo a calar-se, com certeza. Mas qual! Com o maço dos bilhetes na mão e de alicate espetado, limitou-se a dizer: «O senhor?» O passageiro tirou a mão da algibeira e, sem deixar de assobiar, estendeu-a com a palma voltada para cima. Esperou que lhe levassem a moeda, recebeu o bilhete e tornou a enfiar a mão pela algibeira dentro. Toda a gente seguia a cena, interessada. Mas, quando o homem olhou as pessoas, ao acaso, voltaram todas os olhos como se ele afinal não existisse.O assobio, umas vezes, era baixo, mal se ouvia, outras vezes, alto, muito alto, com trinados ridículos e irritantes. Ninguém sabia o que ele assobiava. E o homem também não. Qualquer coisa que lhe apetecia que fosse assim mesmo. Às vezes repetia os sons como um estribilho. Outras vezes, porém, a maior parte das vezes, passava a novas combinações, ora brandas, ora violentas, sem querer saber para nada das que ficavam para trás. As pessoas começavam a olhar umas para as outras à socapa. Já se tinha visto coisa assim? Um ou outro cavalheiro levantava os olhos do jornal, franzia a testa, fitava com dureza o homem do chapéu coçado e sobretudo castanho, na esperança de que ele, envergonhado, parasse com aquilo. A senhora opulenta, no auge do espanto, nem se atrevia a olhar para lado nenhum, vexadíssima porque, sem ter culpa nenhuma, se encontrava em plena zona do escândalo. A que uma pessoa está sujeita!E, no silêncio do carro, o assobio aumentava de volume. Talvez, no fundo, aquele gorjeio ridículo não fosse desagradável de todo. Simplesmente, um eléctrico não é o local mais próprio para exibições daquelas. Porque não interferiria o condutor? O condutor era a autoridade do carro. Porque não interferiria? Estava-se a ver. Era tão bom como ele. A verdade, porém, é que não se conhecia nenhum regulamento que impedisse os passageiros de assobiar. Colados aos vidros do eléctrico, havia papéis que proibiam fumar, cuspir no carro. Era proibido abrir as janelas durante os meses de Inverno. Mas nem uma palavra a respeito de assobios.De repente, uma criança que ia sentada junto duma janela e já se sentia enfastiada de olhar para a rua interessou-se pelo homem. Achava-lhe tanta graça, com o seu chapéu coçado, o seu sobretudo castanho, o seu assobio... Era uma criança muito pálida, de cabelos louros e encaracolados, vestida de azul. Interessou-se tanto pelo homem que começou a bater palmas. Mas uma senhora nova e bonita, que ia ao lado dela, segurou-lhe as mãos com gentileza e afastou-lhas. Devia ir calada e quietinha. Era muito feio fazer barulho no eléctrico. Uma menina bonita não fazia barulho. «Que disse eu à minha filha?» No entanto, a senhora nova e bonita não antipatizava com o homem. Olhava os embrulhos de papel vistoso que trazia nos joelhos e pensava: se não pudesse mais e começasse também a assobiar? No fundo, admirava a sem-cerimónia do homem do chapéu coçado. Não seria adorável ela própria, uma senhora casada e mãe de uma garota de cinco anos, começar a assobiar num eléctrico se lhe apetecesse? Quando era da idade da filha, a senhora bonita ia muitas vezes ao campo vestida com coisas velhas para poder atirar-se para a relva à vontade. Tinha uma voz muito suave e muito fresca, gostava de fazer precisamente aquilo que uma menina bonita não deve fazer Os amigos do pai pegavam-lhe ao colo, atiravam-na ao ar E ela ria, ria, ria até ficar sufocada. A mãe dizia «Pronto, pronto, vamos a ter juízo, não se ri assim dessa maneira» E, quanto mais lho diziam, mais lhe apetecia rir, rir, rir.De vez em quando, um passageiro saía. A plataforma do carro ia-se esvaziando. E, pouco a pouco, os que ficavam foram-se habituando àquele estúpido assobio Os cavalheiros tinham esquecido os jornais Algumas senhoras sorriam Já se vira um disparate assim? Principalmente a senhora opulenta não podia mais. Apertava os lábios. Sentada num banco de lado, encontrava os olhos de toda a gente. Era irresistível. E a senhora bonita pensava em ar livre e nos tempos da infância. Na escola aprendera a assobiar e a lançar o pião. Havia vozes que tinham ficado dentro dela. «Uma menina a assobiar, Nini?»Em dada altura, o homem, sem deixar de assobiar, levantou-se e puxou o cordão da campainha. Era um homenzinho insignificante, ainda novo e já de cabelos grisalhos, chapéu coçado, sobretudo castanho muito lustroso nas bandas. Mas havia nele uma indiferença soberana pelo eléctrico inteiro Toda a gente o olhava Com desprezo? Com ironia? Com inveja? Abriu a porta, fechou-a e saltou com o carro ainda em andamento.As pessoas voltaram-se então umas para as outras, não resistiram mais e riram mesmo. Que homenzinho patusco! Desculpavam-se, explicavam-se sem palavras Entendiam-se Um minuto de simplicidade e simpatia iluminou-as A criança que batera palmas limpou com a mão o vidro embaciado da janela à procura do estranho passageiro Viu-o atravessar a rua, seguir pelo passeio agarrado às casas, desaparecer.Só então a senhora nova e bonita, que era a mãe da criança, abriu os olhos. Ninguém hoje lhe chamava Nini. Nini era a filha Ela agora é que dizia à filha «Uma menina a assobiar, Nini! Uma menina bonita não faz barulho.»Ficara nos lábios e nos olhos de todos um sorriso de bondosa ingenuidade o Depois esse sorriso foi-se apagando Morreu As pessoas tomaram consciência da sua momentânea quebra de compostura Lembraram-se dos seus embrulhos, dos seus anéis, dos seus jornais Que patetice! Não havia outra palavra para aquilo Que patetice! Os cavalheiros recomeçaram a ler os títulos das notícias. As senhoras deram um toque nas golas dos casacos A criança tornou a olhar para a rua.Tudo voltou, pesadamente, a encher-se de silêncio e dignidade.
Mário Dionísio, In O Dia Cinzento e Outros Contos

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Somos Bi-Campeões Nacionais do "Entre Palavras"



No dia 3 de Junho de 2009, as escolas EB 2,3 Dr. Leonardo Coimbra, da Lixa, e EB 2,3 Augusto Gil, do Porto, participaram na final nacional do V Fórum Entre Palavras do Jornal de Notícias como representantes do Distrito do Porto e sagraram-se vencedores, sendo por isso os Campeões Nacionais 2009.

Durante a manhã, estas escolas apresentaram um primeiro trabalho sobre Homossexualidade- Casamento entre pessoas do mesmo sexo, inspirado num julgamento de um casal homossexual que pretendia casar em Portugal. Os oito alunos participantes representaram a sua peça teatral com tal garra que, entre dezoito distritos participantes, ficaram apurados para a segunda parte do concurso que teve lugar da parte de tarde. Nesta segunda fase a equipa do distrito do Porto apresentou um novo trabalho desta vez sobre o tema Crise Económica e tentou provar a necessidade da intervenção estatal junto das instituições bancárias para evitar a falência das mesmas, uma vez que foram estes o tema e a posição que lhes foram atribuídos.

Numa nova representação teatral conseguiram provar que o bom funcionamento das instituições bancárias é necessário ao desenvolvimento do país e à sobrevivência financeira de todas as famílias portuguesas. Seguiu-se um debate entre as escolas representantes do Distrito do Porto e as escolas representantes do Distrito de Braga, os dois distritos finalistas deste concurso. Este debate foi moderado pela conhecida e experiente apresentadora Fátima Campos Ferreira e teve como convidado especial o Eurodeputado Dr. Silva Peneda.

Após longos minutos de argumentação, exposição e debate de ideias o júri declarou vencedor o Distrito do Porto.

A Escola EB 2, 3 Dr. Leonardo Coimbra é pelo segundo ano consecutivo vencedora nacional deste Fórum de Leitura e Debate de Ideias tendo, como tal, o título de Bi-Campeã Nacional.

Aos oito alunos intervenientes de ambas as escolas do Distrito do Porto e aos professores que os prepararam os mais merecidos Parabéns pelo empenho e dedicação que todo este trabalho acarretou.

De um modo especial, e porque são da nossa escola, ficam os parabéns em sinal de agradecimento para os alunos: Ana Sofia, Daniela, João Pedro e Micael, para os professores que com eles trabalharam: Anabela Brochado, Francisco Correia, Jorge Almeida, Marinela Passos e Paula Nunes e também para a claque que os acompanhou.

Que o exemplo hoje dado por este grupo de alunos e professores seja seguido por muitos e eleve bem alto as palavras Escola e Educação.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho


Mapa da Avenida:



Texto integral:

Análise do conto:

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Escola Dr. Leonardo Coimbra Campeã Nacional



A Escola E B 2, 3 Dr. Leonardo Coimbra, Lixa, que formou equipa com a Escola Secundária de Vilela, Paredes, representando o distrito do Porto, venceu a final nacional do IV Fórum “Entre Palavras”, que se realizou no Europarque de Santa Maria da Feira, no dia 4 de Junho de 2008.
A iniciativa, que contou com a presença das escolas vencedoras das 18 finais distritais e das respectivas claques de apoio, debateu temas como “Segurança nas Estradas”, “Perigos da Internet”, “Nova Lei do Tabaco”, “Segurança e Indisciplina nas Escolas”, “União Europeia” e “Protocolo de Quioto” (tema do debate final).
Os alunos da EB 2, 3 Dr. Leonardo Coimbra, Ana Sofia Rodrigues, Inês Silva, Fernando Cerqueira e Marine Pinto, que trabalharam em equipa com colegas da Escola Secundária de Vilela, começaram por encenar um “casamento” de Portugal com a União Europeia, que foi considerado o melhor trabalho apresentado em todos os debates desde que se iniciou este fórum de leitura e debate de ideias há 4 anos, por um dos moderadores do debate, o professor Nuno Gramaxo, obtendo 104 pontos, contra a outra os 101 de Viseu (distrito campeão nacional no ano anterior), que também conseguiu passar ao debate final.
Na fase final, as escolas de Viseu, que defendiam o Protocolo de Quioto, apresentaram uma carta aberta aos “senhores do mundo” e as do Porto apostaram num julgamento do Homem pela juíza “Mãe Natureza”, com os advogados de acusação e de defesa (“Dr. Comodismo”) e as testemunhas “Ar”, “Água” e “Terra”. Depois seguiu-se um intenso debate moderado pela intimidante, mas simpática, jornalista da RTP, Fátima Campos Ferreira, em que o distrito do Porto defendeu que o Protocolo de Quioto não era s solução para evitar o aquecimento global, apresentando como alternativa o chamado “Sequestro de Carbono”.
Durante a meia hora em que o júri esteve a debater, houve uma enorme ansiedade entre os participantes, até que foi anunciado o Porto como distrito vencedor pela apresentação, virtuosismo e originalidade ao longo do evento, o que provocou uma enorme alegria entre os participantes e os 80 alunos que serviam de claque, invadindo o enorme palco para abraçar os novos campeões nacionais, que receberam livros, máquinas fotográficas digitais (oferecidas pelo El Corte Inglês) e uma medalha de ouro. A escola também recebeu uma placa comemorativa, uma “Diciopédia 2008” e várias colecções de livros.
O professor Jorge Almeida, responsável pela actividade na escola da Lixa, revelou que sentiu um enorme orgulho em trabalhar com todos os alunos vencedores e que os trunfos da vitória foram o espírito de equipa, a cumplicidade entre os participantes da Lixa e de Vilela, a responsabilidade atribuída a cada elemento do grupo para que soubesse exactamente o que tinha de fazer, os textos que aliavam sempre a profundidade do conteúdo com o humor, cativando o público e a indispensável colaboração dos professores Anabela Borges, Marinela Passos, Francisco Correia, Vera Costa, Maria José Monteiro, Francisco Garcia, Carla Carvalho e Clementina que ajudaram nos ensaios, na preparação de adereços e de vários debates. O docente também referiu que depois de alguma desvalorização da vitória na distrital do Porto por serem escolas da periferia, houve um reconhecimento do trabalho, do empenho e da qualidade demonstradas ao longo das três fases até serem os justos campeões nacionais.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

À Beira do Lago dos Encantos








terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Os meus objectivos

Chegaram por mail. Não os posso usar todos porque não lecciono Matemática. Bolas…

«—– De acordo com ponto 2 do Artigo 9.º do Decreto Regulamentar n.º 2/2008, (itens de referência para os objectivos individuais), passo a apresentar os meus objectivos e respectivas estratégias.

a) A melhoria dos resultados escolares dos alunos; Pretendo baixar o insucesso dos meus alunos, a matemática, de 25% para 20% . No ano anterior a turma tinha 20 alunos dos quais 5 tiveram insucesso (25 %); como este ano a turma aumentou para 25 alunos, se os mesmos 5 não obtiverem sucesso terei uma percentagem de insucesso de 20%. Estou de parabéns. (P.S: Não esquecer de pedir para voltarem a aumentar a turma para o próximo ano).
Estratégia II: não me aumentando a turma, e como o Ministério diz que não precisam de ter aproveitamento a matemática (podem transitar com nível 2 a duas ou três disciplinas), vou oferecer 2€ sempre que um aluno tenha positiva num teste. (P.S: se 2 € não resultar terei de pensar em 5€ e já não vou de férias para a praia ).

b) A redução do abandono escolar;
Pretendo obter 4% de abandono escolar, que corresponde a 1 aluno cuja família é constituída por pais toxicodependentes; Se durante o ano lectivo a avó materna que cuida de um dos alunos, por este ter sido abandonado pelos pais, vier a falecer (já tem 80 anos) ou ficar incapacitada de cuidar dele, comprometo-me a adoptá-lo para cumprir os objectivos da minha avaliação; Quanto aos que mudarem de residência sem efectuarem transferência, encarregar-me-ei de descobrir a nova morada e contactá-los pessoalmente para que assinem os papéis da transferência (P.S: espero que nenhum dos ucranianos regressem ao seu país pois a 5€ por positiva, não vou poder ir à terra deles tratar dos papéis);


c) A prestação de apoio à aprendizagem dos alunos incluindo aqueles com dificuldades de aprendizagem; Comprometo-me a prestar apoio a todos explicando individualmente a matéria que tinham que estudar e resolvendo os exercícios que tinham para TPC, mas que não fizeram pois como me disseram "tenho mais que fazer que ir para casa fazer TPC's"; (P.S: 90 min de aula a dividir por 25 alunos dá 3,6 min a cada um; será que aquela programação de matemática que previa 8 aulas para uma unidade contou com este tempo?);

d) A participação nas estruturas de orientação educativa e dos órgãos de gestão do agrupamento ou escola não agrupada; Como não sou titular só poderei ser director de turma, o que farei se me atribuírem o cargo (que remédio); (P.S: se não me derem o cargo de DT será que ficarei em falta? Se calhar é melhor pedir para, por favor!, por favor!, me darem o cargo);

e) A relação com a comunidade
Proponho-me a estabelecer boas relações com a comunidade, não reagindo se for insultado ou agredido por alunos ou EE.
Não sei se é com a escolar se é com a local por isso pelo sim pelo não estou a pensar organizar uma recepção, com buffet claro, a todos os alunos e EE e convidar também os elementos da Junta de Freguesia
(P.S.: se não me deixarem fazer a recepção na escola tenho de alugar um espaço;

NOTA: se alugar o espaço à Junta até estou a contribuir para as boas relações, pois uma rendazita é sempre bem vinda para a autarquia).

Agora não posso pensar em mais itens; a minha mulher está-me a chamar para atender um aluno que tem os pais desempregados e veio cá a casa buscar umas merceariazitas, enquanto não chega o subsídio de desemprego. É que a mãe já me disse que na situação em que se encontram, não tem dinheiro para mandar o miúdo à escola, mas eu não posso aumentar a taxa de abandono…

Um abraço de solidariedade a todos os professores que foram despromovidos e passaram a substitutos.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

A Aia

Texto dramático construído a partir do conto “A Aia” de Eça de Queirós

(Em cena estão a Aia, o Rei, a Rainha, o Escravozinho e o Príncipe)
REI – Adeus, minha querida, vou partir para batalhar por terras distantes.
RAINHA – O que vai ser de mim, que fico solitária e triste, sem poder defender o nosso principezinho dos seus ferozes inimigos?
REI – Enquanto eu estiver vivo, ninguém lhe fará mal. Quando eu regressar, o nosso filho será o herdeiro de um reino muito maior e mais importante. Adeus, minha querida e adeus, meu filho (dá um beijo à Rainha e outro ao Príncipe deitado no seu berço real e depois parte, deixando a Rainha triste).
AIA – Pressinto que algo de mau vai acontecer… (amamentando as duas crianças…).
(Entra um Cavaleiro em cena, ensanguentado por uma batalha perdida).
CAVALEIRO – Majestade, trago más notícias. Perdemos a batalha e o nosso rei morreu juntamente com o seu exército.
RAINHA – (Gritando) O que será de mim e do meu Príncipe, que não se pode defender… Ele tem tantos inimigos e o pior é o seu tio, um homem bravio como um lobo, que quer mandar neste reino e nos nossos tesouros. Ele descerá lá dos montes e matá-lo-á para ficar herdeiro do reino.
AIA – Descanse, majestade, que o nosso Rei lá no Céu velará por nós… (enquanto chorava e beijava o príncipe).
RAINHA- Uma roca não governa como uma espada. Eu, uma frágil mulher, não conseguirei comandar um exército para defender o nosso Príncipe….
(A Rainha sai de cena, chorando…)
AIA – Estão a invadir o castelo! É o malvado tio bastardo… (beijando as crianças, troca-as de berço e cobre-as).
(Entra em cena o tio e, olhando para os berços, retira a criança que estava no berço mais rico, fugindo com ela ).
(Entra em cena a rainha, correndo chorosa para o berço onde estaria o seu filho e, ao vê-lo vazio, desmaiou. A Aia pega na rainha pela mão e dirige-se ao berço do seu filho e destapou-o, mostrando o Príncipe, que dormia).
CAPITÃO (entrando) – Matámos o Bastardo, mas o Principezinho também morreu esganado…
RAINHA – O Principezinho está aqui…. (ergueu os braços com o príncipe).
POVO – Quem o salvou? Quem?
RAINHA – Foi a Aia que sacrificou o seu filho em vez do príncipe! (abraçando-a).
POVO – É preciso recompensar esta mulher! Mas como? Que bolsas de ouro podem pagar um filho?
CAPITÃO – Levem-na ao tesouro real para ela escolher as riquezas que quiser.
(Dirigem-se ao tesouro real)
POVO – Ah! Tantas riquezas! Que Jóia maravilhosa, que fio de diamantes, que punhado de rubis ela escolherá?
AIA(agarrando um punhal) – Salvei o meu Príncipe. Agora vou dar de mamar ao meu filho! (Crava o punhal no coração).
Jorge Almeida

domingo, 21 de outubro de 2007

O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá

Prólogo:




http://gmas.no.sapo.pt/Ficheiros/gmas%20-%20introducao.htm
http://www.iep.uminho.pt/aac/lic/te/ate03/gm/

Madrugada:





Primavera:








Parêntesis


Parêntesis das Murmurações


Outono


Inverno


http://www.webvestibular.com.br/resumos_imprimir.aspx?r=1&cod=263

Jorge Amado


quarta-feira, 17 de outubro de 2007

José Saramago



terça-feira, 16 de outubro de 2007

"Mar Português" de Fernando Pessoa

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X. MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa

Pronúncias Incorrectas

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Breve História de Portugal


As Bandeiras de Portugal

sábado, 6 de outubro de 2007

"Bela Infanta" de Almeida Garrett

http://www.ecolenet.nl/tellme/poesia/infanta.htm

sábado, 8 de setembro de 2007

"A Aia" de Eça de Queirós

"A Aia" de Eça de Queirós é um conto publicado na colectânea editada em 1902.

Resumo do conto
A aia é a história da ama de leite de um princípe, exemplo máximo de valores como a lealdade e a fidelidade.
O conto começa com o rei derrotado e morto após uma batalha. A rainha desolada tentou fazer de tudo para proteger o seu filho, herdeiro do reino. Contudo, o tio da criança, o irmão bastardo do rei, um homem tenebroso e sombrio, estava ansioso por se sentar no trono, e disposto a tudo para consegui-lo.
Uma noite, depois de embalar o príncipe, a aia deitou-se e adormeceu. Mas rapidamente acordou com o barulho dos passos do bastardo, que vinha para matar o príncipe. O seu filho, dormia num berço de verga ao lado do princípe. Num movimento rápido, ela trocou os bebés salvando o seu futuro rei à custa da vida do seu filho.
A rainha apercebendo-se do que a aia tinha feito agradeceu-lhe, prometendo dar-lhe todas as riquezas. A aia escolheu um punhal e, dizendo que salvara o seu príncipe e que, naquele momento, ia dar de mamar ao seu filho, cravou o punhal no coração.
Análise do conto:

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

"O Cavaleiro da Dinamarca" de Sophia de Mello Breyner

http://profteresa.no.sapo.pt/c_din_guiao_ESLF.pdf
http://profviseu.com/profes/02/23b/Grupo5/default.htm
http://www4.crb.ucp.pt/Biblioteca/Mathesis/Mat10/mathesis10_287.pdf
http://www.proformar.org/teia/tdin/recursos/did_especifica/l_portuguesa/Cavaleiro.ppt
http://videos.sapo.pt/cs8l27dkTv3ovZqnEpnq



Testes:
http://www.geamangualde.net/Recursos/Download/Tema_3/cavdadinam.htm
http://www.eb23-monte-caparica.rcts.pt/webquests/Mace/index.htm
http://www01.madeira-edu.pt/projectos/vemaprenderportugues/Testes/7Ano/Docs/testes_cavaleiro.htm

sábado, 1 de setembro de 2007

Fábulas

A fábula é uma narrativa alegórica, em forma de prosa ou verso, cujos personagens são geralmente animais que sustentam um diálogo, cujo desenlace reflecte uma lição de moral, característica essencial dessa. A temática é variada e contempla tópicos como a vitória da fraqueza sobre a força, da bondade sobre a astúcia e a derrota de presunçosos.

Já entre assírios e babilónios a fábula era cultivada. Foi o grego Esopo, contudo, quem consagrou o género. La Fontaine foi outro grande fabulista, imprimindo à fábula grande refinamento. George Orwell, com sua Revolução dos Bichos (Animal Farm), compôs uma fábula (embora em um sentido mais amplo e de sátira política).

As literaturas portuguesa e brasileira também cultivaram o género com Sá de Miranda, Diogo Bernardes, Manoel de Melo, Bocage, Monteiro Lobato e outros.

Análise de Fábulas:
http://www.prof2000.pt/users/secjeste/alternativas09/Pg000080.htm

Lendas

Lenda da Vitória-Régia

Lenda é uma narrativa fantasiosa transmitida pela tradição oral através dos tempos.
De caráter fantástico e/ou fictício, as lendas combinam fatos reais e históricos com fatos irreais que são meramente produto da imaginação aventuresca humana.
Com exemplos bem definidos em todos os países do mundo, as lendas geralmente fornecem explicações plausíveis e até certo ponto aceitáveis para coisas que não têm explicações científicas comprovadas, como acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais.
wikipedia

Lendas do distrito do Porto

O Senhor de Matosinhos

Segundo a tradição, a imagem do Senhor de Matosinhos é uma das mais antigas de toda a cristandade. A lenda diz que esta imagem foi esculpida por Nicodemos, que assistiu aos últimos momentos de vida de Jesus, sendo por isso considerada uma cópia fiel do seu rosto. Nicodemos esculpiu mais quatro imagens mas esta é considerada a primeira e a mais perfeita. A imagem é oca porque nela teria Nicodemos escondido os instrumentos da Paixão e, nesses tempos de perseguição, os objectos sagrados eram escondidos ou atirados ao mar para escaparem à fogueira. Nicodemos atirou a imagem ao mar Mediterrâneo, na Judeia, e esta foi levada pelas águas, passou o estreito de Gibraltar e veio dar à praia de Matosinhos, perdendo na viagem um braço. A população de Bouças ergueu-lhe um templo e designou a imagem por Nosso Senhor de Bouças, venerando-a durante 50 anos pelos seus muitos milagres. Mas um dia, andava uma mulher na praia de Matosinhos a apanhar lenha para a sua lareira, quando encontrou um pedaço de madeira que juntou aos restantes. Em casa, lançou-o ao fogo mas este pedaço saltou da lareira não só da primeira, mas como de todas as vezes que ela o tentava queimar. A sua filha, muda de nascença, fazia-lhe gestos desesperados para que dizer qualquer coisa e, por fim, balbuciou, perante o espanto da mãe, que o pedaço de madeira era o braço de Nosso Senhor das Bouças. Assombrada pelo milagre a população verificou que o braço se ajustava tão bem à imagem que parecia que nunca dela se tinha separado. No século XVI, a imagem foi mudada para uma igreja em Matosinhos, construída em sua honra, ficando a ser conhecida por Nosso Senhor de Matosinhos.

Santiago e Caio

No ano de 44 da era de Jesus Cristo, passeava pela praia de Matosinhos um ilustre cavaleiro da Maia, Caio Carpo Palenciano, com a sua mulher Claudina e vários parentes e amigos. Cavalgava o grupo pelo areal quando alguém vislumbrou uma barca que se dirigia para norte. Os cavaleiros e as damas pararam todos para apreciar o ritmo e a beleza da embarcação, quando inexplicavelmente o cavalo de Caio galopou para dentro do mar, apesar de este o tentar evitar, como se fosse obrigado por uma força desconhecida. Cavalo e cavaleiro imergiram no mar e desapareceram para ressurgirem perto da barca, para onde subiram cobertos de vieiras. Quando perguntaram à tripulação o motivo deste fenómeno e qual a razão da sua viagem, estes explicaram que eram discípulos cristãos de um homem chamado Tiago. Tinham fugido de grandes perseguições, levando o corpo do seu Mestre para terras de Espanha, onde Tiago tinha pregado o Evangelho. Segundo estes homens, o fenómeno ocorrido com Caio e o seu cavalo poderia ser explicado pelo facto de ele ser um escolhido de Nosso Senhor. As vieiras eram o sinal de Santiago que queria ver Caio abraçar a lei de Deus. Comovido, Caio foi ali mesmo baptizado com água do mar e, quando voltou para junto dos seus familiares e amigos, a todos converteu com o extraordinário feito de Santiago. As vieiras ficaram a fazer parte do brasão da nobre família Pimentel de Trás-os-Montes, descendentes, segundo se crê, de Caio Carpo Palenciano.

Lenda de Valongo e Susão

Os nomes de Valongo e Susão têm origem nesta lenda que remonta à época em que alguns cristãos perseguidos no Oriente se refugiaram em Cale, foz do rio Douro. Entre eles estava o rico negociante judeu Samuel, recém convertido ao Cristianismo, e a sua filha Susana. Pensavam os fugitivos estarem já livres de perseguições quando foram obrigados a defender-se dos árabes que dominavam a região. Com astúcia, prepararam uma armadilha e capturaram o jovem Domus de cujo resgate esperavam obter a paz. Enquanto decorriam as negociações, Domus e Susana apaixonaram-se e o mouro pediu para ser baptizado para poder casar-se com a jovem. O acordo com os muçulmanos era assim impossível e decidiram todos fugir, deixando Portucale (Porto) em direcção ao Oriente. Chegados ao topo da Serra de Santa Justa depararam com uma paisagem lindíssima e a apaixonada Susana exclamou um elogio sincero ao vale longo que sob os seus olhos se estendia. Desceram ao vale e nele decidiram ficar para sempre, edificando as primeiras casas de uma povoação que se veio a chamar Susão, em memória da bela Susana. O vale que Susana tinha achado belo e longo ficou conhecido como Valongo.

Lenda do Rei Ramiro

Uma antiga lenda que remonta ao século X, conta que o rei Ramiro II de Leão se apaixonou por uma bela moura de sangue azul, irmã de Alboazer Alboçadam, rei mouro que possuía as terras que iam de Gaia até Santarém. Influenciado pela sua paixão e com a intenção de pedir a moura em casamento, Ramiro decidiu estabelecer a paz com Alboazer, que o recebeu no seu palácio de Gaia. Apesar de já ser casado, Ramiro pensou que seria fácil obter a anulação do seu casamento pelo parentesco que o unia a D. Aldora. Alboazer recusou terminantemente: nunca daria a irmã em casamento a um cristão e, de todas as formas, esta já estava prometida ao rei de Marrocos. O rei Ramiro, vexado, pareceu aceitar a recusa, mas pediu ao astrólogo Amã que estudasse os astros para decidir qual a melhor altura para raptar a princesa e levou-a consigo nessa data propícia. Dando por falta da irmã, Alboazer ainda chegou a tempo de encontrar os cristãos a embarcar no cais de Gaia. Gerou-se uma luta favorável ao rei cristão, que levou a princesa moura para Leão, a baptizou e lhe deu o nome de Artiga, que tanto significava castigada e ensinada como dotada de todos os bens. Alboazer, para se vingar, raptou a legítima esposa do rei Ramiro, D. Aldora, juntamente com todo o seu séquito. Quando o rei Ramiro soube do rapto ficou louco de raiva e, juntamente com o seu filho D. Ordonho e alguns vassalos, zarpou de barco para Gaia. Aí chegados Ramiro disfarçou-se de pedinte e dirigiu-se a uma fonte onde encontrou uma das aias de D. Aldora a quem pediu um pouco de água, aproveitando para dissimuladamente deitar no recipiente da água meio camafeu, do qual a rainha possuía a outra metade. Reconhecendo a jóia, D. Aldora mandou buscar o rei disfarçado de pedinte e, por vingança da sua infidelidade, entregou-o a Alboazer. Sentindo-se perdido, o rei Ramiro pediu a Alboazer uma morte pública, esperando com astúcia ganhar tempo para poder avisar o seu filho através do toque do seu corno de caça. Ao ouvir o sinal combinado, D. Ordonho acorreu com os seus homens ao castelo e juntos mataram Alboazer e o seu povo, para além de destruírem a cidade. Levando D. Aldora e as suas aias para o seu barco, o rei Ramiro atou uma mó de pedra ao pescoço da rainha e atirou-a ao mar num local que ficou a ser conhecido por Foz de Âncora. O rei Ramiro voltou para Leão onde se casou com a princesa Artiga, de quem teve uma vasta e nobre descendência.

Lenda de Pedro Sem

A torre medieval que se encontra diante do antigo Palácio de Cristal, no Porto, é ainda hoje conhecida por Torre de Pedro Sem. A história diz que essa torre pertencia a Pêro do Sem, doutor de leis, jurisconsulto e chanceler-mor de D. Afonso VI, no século XIV. Mas a lenda remete para uma data posterior, no século XVI, a existência de um personagem Pedro Sem que vivia no seu Palácio da Torre. Possuindo muitas naus na Índia, Pedro Sem era um mercador rico mas não tinha títulos de nobreza, o que muito o afectava. Era também usurário, emprestando dinheiro a juros elevados, à custa da desgraça alheia, enquanto vivia rodeado de luxo. Estavam as suas naus a chegar, carregadas de especiarias e outros bens preciosos, quando a sua máxima ambição foi realizada através do seu casamento com uma jovem da nobreza, em troca do perdão das dívidas de seu pai. Decorria a festa de casamento, que durou quinze dias consecutivos, quando as naus de Pedro Sem se aproximaram da barra do Douro. O arrogante mercador acompanhado pelos seus convidados subiu à torre do seu palácio e, confiante do seu poder, desafiou Deus, dizendo que nem o Criador o poderia fazer pobre. Nesse momento, o céu que estava azul deu lugar a uma grande tempestade! Pedro Sem assistiu, impotente e encharcado pela chuva, ao naufrágio das suas naus. De seguida, a torre foi atingida por um raio que fez deflagrar um incêndio que destruiu todos os seus bens. Arruinado, Pedro Sem passou a pedir esmola nas ruas, lamentando-se a quem passava: "Dê uma esmolinha a Pedro Sem, que teve tudo e agora não tem...".

Lenda dos Tripeiros

No ano de 1415, construíam-se nas margens do Douro as naus e os barcos que haveriam de levar os portugueses, nesse ano, à conquista de Ceuta e, mais tarde, à epopeia dos Descobrimentos. A razão deste empreendimento era secreta e nos estaleiros os boatos eram muitos e variados: uns diziam que as embarcações eram destinadas a transportar a Infanta D. Helena a Inglaterra, onde se casaria; outros diziam que era para levar El-Rei D. João I a Jerusalém para visitar o Santo Sepulcro. Mas havia ainda quem afirmasse a pés juntos que a armada se destinava a conduzir os Infantes D. Pedro e D. Henrique a Nápoles para ali se casarem... Foi então que o Infante D. Henrique apareceu inesperadamente no Porto para ver o andamento dos trabalhos e, embora satisfeito com o esforço despendido, achou que se poderia fazer ainda mais. E o Infante confidenciou ao mestre Vaz, o fiel encarregado da construção, as verdadeiras e secretas razões que estavam na sua origem: a conquista de Ceuta. Pediu ao mestre e aos seus homens mais empenho e sacrifícios, ao que mestre Vaz lhe assegurou que fariam para o infante o mesmo que tinham feito cerca de trinta anos atrás aquando da guerra com Castela: dariam toda a carne da cidade e comeriam apenas as tripas. Este sacrifício tinha-lhes valido mesmo a alcunha de "tripeiros". Comovido, o infante D. Henrique disse-lhe então que esse nome de "tripeiros" era uma verdadeira honra para o povo do Porto. A História de Portugal registou mais este sacrifício invulgar dos heróicos "tripeiros" que contribuiu para que a grande frota do Infante D. Henrique, com sete galés e vinte naus, partisse a caminho da conquista de Ceuta.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Biografia de Gil Vicente

O teatro de Gil Vicente:

http://www.citi.pt/gilvicenteonline/


Entrevistas imaginárias a Gil Vicente:






http://videos.sapo.pt/NPV7NBnvbPQqFszonaG4

http://pt.wikipedia.org/wiki/Gil_Vicente



sexta-feira, 24 de agosto de 2007

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Estrutura da Notícia


quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Tipos e Formas de Frase


Exercícios:

Graus dos Adjectivos